União de Freguesias de Torres Novas (São Pedro), Lapas e Ribeira Branca

Breve descrição da União das Freguesias

SÃO PEDRO – CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS

Compõe-se a Freguesia de S. Pedro pela parte Norte e Poente da Cidade, pelos lugares de Carvalhal da Aroeira, Rodrigos e Nicho dos Rodrigos, Quinta do Vale da Cortiça, Quinta de S. João, Quinta das Vieiras, Quinta de S. Gião, Quinta de Entre Águas e Atouguia. A Freguesia de S. Pedro, que em tempos como paróquia tinha jurisdição graças à sua Igreja do Divino Espírito Santo, de momento, N.ª Sr.ª da Graça de Lapas, N.ª Sr.ª da Conceição da Ribeira Branca, Santa Eufémia da Chancelaria, S. Pedro de Alcanena, S. Sebastião da Zibreira, Santa Marta da Serra de Minde e, N.ª Sr.ª da Serra de Alqueidão.
Foi nesta Freguesia, a 12 de Março de 1558, que se passou a realizar a Feira de S. Gregório, feira franca, por no local D. Jaime de Lencastre ter fundado neste ano o Convento de S. Gregório Magno da Ordem de N.ª Sr.ª do Monte Carmo, no Rossio do Carrascal. Também no Largo do Quinchoso, a partir de 20 de Agosto de 1885, se realizou durante muitos anos o mercado semanal, na altura às segundas feiras, onde se comercializava loiça de barro, móveis e utensílios de pinho, porcos e outros.
Na Rua e Ponte do Ral se realizou até 6 de Junho de 1840 a venda de peixe salgado e sardinha.
As lendas que circulam à volta de S. Pedro de Torres Novas tornam esta freguesia, no mínimo, especial. Provavelmente criada antes de 1545, data do primeiro registo paroquial, tem a fama de ter conhecido de perto a presença muçulmana. Isso seria natural, não fosse o facto de se dizer que os mouros aí construíram uma grande mesquita, para satisfazer as suas necessidades espirituais. A igreja matriz da freguesia teria sido erguida exactamente no mesmo local, em substituição da anterior. O facto, isto para acalmar consciências, é que a bonita Igreja Paroquial de S. Pedro nada tem de muçulmano. Foi fundada no séc. XIV, fora da antiga cerca torrejana da vila, por Diogo Gonçalves Pimentel, Senhor do morgado dos Pimentéis, de Torres Novas. Muito alterado em relação à traça original, devido ao terramoto de 1755.
 
Registos Paroquiais: É das freguesias de que se conhecem Registos Paroquiais em Portugal, dos mais antigos, 1545 (Baptismos).
 
Cortes de 1525: Pela segunda vez se reuniram côrtes nesta vila de Torres Novas, no ano de 1525, que foram as 80.as do reino. Realizado a 5 de Fevereiro de 1525 o casamento de el-rei D. João III com D. Catarina, irmã do imperador Carlos V, de Espanha, a fim de se estreitarem mais as relações entre os dois países se negociou o casamento deste soberano com a infanta D. Isabel, irmã do monarca português. Nos ajustes matrimoniais se contratou que o dote da infanta fosse de 90 mil dobras ou seja mais de 800.000 cruzados.
 
 

Brasão S. Pedro

Escudo de vermelho, duas chaves de ouro, em aspa, atadas com um torçal de verde; pé de faixetas ondadas de prata e azul. Coroa mural de três torres de prata. Listel branco, cm a legenda e negro, em maiúsculas: « S. PEDRO – TORRES NOVAS»

Bandeira:

Esquertelada de amarelo e verde. Cordão e borlas de ouro e verde. Haste e lança de ouro.

Selo Branco:

Circular, com as peças do escudo sem a indicação de cores e metais, tudo envolvido por dois círculos concêntricos, onde corre a legenda

« JUNTA DE FREGUESIA DE S. PEDRO – TORRES NOVAS».

Simbologia

A simbologia relaciona-se com o orago S. Pedro e está representada por cima da verga da porta principal da matriz, situada numa das antyigas entradas da vila

Autor do Brasão: José Alberto Borralho, com sugestões de José Bènard Guedes

 

LAPAS – CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS

Lapas situa-se na margem do rio Almonda, que banha uma grande parte deste concelho. A sua configuração actual está relacionada com a sua história, e para perceber uma teremos de compreender a outra. Implantada num pequeno morro, junto daquele rio, desenvolve-se numa sucessão de estreitas ruas e ruelas, o que faz dela uma freguesia de grande beleza.

seu povoamento inicial, muito remoto, está documentado através de uma série de achados arqueológicos da época neolítica: machados, enxós, cerâmicas e outros utensílios domésticos de fabrico local. Ali terá existido um reduto castrejo, no qual se aquartelavam populações em busca das melhores condições de vida e de defesa. Os referidos objectos seriam provenientes da respectiva necrópole, utilizada para o enterramento dos mortos por povos que, afinal, haviam adquirido já um grau civilizacional importante. João de Almeida, eminente arqueólogo, referiu em relação ao assunto: “No vértice do monte, cota de 98 metros, que se levanta a norte do lugar das Lapas, a cavaleiro sobre o rio Almonda, situado a 3 km. a noroeste da vila de Torres Novas, existem ainda os claros vestígios de uma antiquíssima fortaleza. Atendendo à natureza e situação do castro e aos numerosos achados de instrumentos e outros objectos da época da idade da pedra polida e dos metais em toda a bacia do Almonda, em especial nestas grutas do rio, é de crer que a sua primeira fortaleza tivesse consistido num castro neolítico.

Ali se teriam fixado os Celtas e mais tarde os Alanos, não se encontrando vestígios da dominação romana. Os Mouros ali estanciaram durante a sua dominação, dos quais persistem ainda muitas lendas e tradições”.

O primeiro documento oficial sobre a freguesia data de 1220. São os estatutos da Confraria de Lapas, instituição de carácter religioso de fundação muito antiga. Como forma de apoio aos peregrinos, foi fundada aqui, como em outros locais do País, uma albergaria, que se destinaria a recolher os referidos viandantes. Era a maior da região. Regia-se, a Confraria das Lapas, por “um compromisso tão antigo que o mandou trasladar o rei D. Afonso V por incapaz de se ler, sendo depois confirmado por D. Manuel I e ultimamente por D. José.” (Artur Gonçalves)

A Confraria de Lapas acabaria por ser anexada à Misericórdia de Torres Novas, depois de ter desenvolvido uma acção de grande destaque na ajuda aos pobres e necessitados da região.

 

A antiga freguesia de Lapas era um curato anexo ao prior de São Pedro de Torres Novas, no termo da vila, passando posteriormente a curato independente.

Em 1527, de acordo com o Numeramento Populacional realizado nesse ano, Lapas teria cerca de 400 moradores. Número de peso no contexto de Torres Novas, que fazia da actual freguesia a segunda mais povoada do concelho. Até aos nossos dias assim foi. Em 1890, ano do primeiro recenseamento efectuado no País, tinha 872 habitantes e em 1920 ultrapassara a barreira dos mil.

O “ex-libris” de Lapas não poderia deixar de ser a sua rede de grutas. Foram estas que deram o nome à povoação, em topónimo que não deixa de ser frequente noutras regiões do País. É com razão que o povo diz, ainda hoje, que “os vivos andam por baixo dos mortos”. Com as galerias abertas ao público, Lapas é permanentemente objecto de muitas visitas de carácter turístico, que no entanto abrangem apenas uma pequena parte do conjunto de subterrâneos que percorre toda a povoação. Será difícil perceber como conseguiu o homem nosso antecessor, em épocas recuadas, talhar de forma tão perfeita esta verdadeira obra de arte pré-histórica. De qualquer forma, a composição geológica destes solos - em calcário mole, o “tufo” - explicará um pouco as nossas dúvidas.

Em redor destas grutas, têm surgido as mais diversas lendas. Desde aquela que referia ir uma das galerias até ao castelo de Torres Novas, passando pelos habituais tesouros mouriscos que se escondiam no interior (sendo que o próprio Pinho Leal adoptou esta última teoria como verdadeira). O objectivo da sua construção, neolítica ou posterior, poderá ter estado relacionado com as fugas dos primeiros cristãos aos ataques dos romanos, no tempo do grande império. É património que carece, no entanto, de um estudo mais aprofundado.

Além das grutas da Lapa, merece destaque na freguesia a igreja paroquial. Templo modesto, de grande singeleza, onde se pode ver um excelente calvário quatrocentista em madeira. Também esta igreja tem sido objecto do culto lendário da população. Diz-se que aqui apareceu uma imagem de Nossa Senhora da Vitória, invocada em muitas outras povoações do concelho. A partir desse momento, não cessou de crescer a fama da Santa e as festas e romarias em sua honra.

BRASÃO

Brasão:

Escudo de vermelho, duas chaves de ouro, em aspa, atadas com um torçal de verde; pé de faixetas ondadas de prata e azul. Coroa mural de três torres de prata. Listel branco, cm a legenda e negro, em maiúsculas: « S. PEDRO – TORRES NOVAS»

Bandeira:

Esquertelada de amarelo e verde. Cordão e borlas de ouro e verde. Haste e lança de ouro.

Selo Branco:

Circular, com as peças do escudo sem a indicação de cores e metais, tudo envolvido por dois círculos concêntricos, onde corre a legenda

« JUNTA DE FREGUESIA DE S. PEDRO – TORRES NOVAS».

Simbologia

A simbologia relaciona-se com o orago S. Pedro e está representada por cima da verga da porta principal da matriz, situada numa das antyigas entradas da vila

 

Autor do Brasão: José Alberto Borralho, com sugestões de José Bènard Guede

 

RIBEIRA– CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS

  Ribeira Branca, antiga povoação, cuja paróquia é anterior a 1566. Existe um livro de assentos de baptismo com essa data.

  A 5 quilómetros da sede do concelho, Ribeira Branca, terra de bonito e poético nome, é banhada pelo rio Almonda, que muito favorece a sua agricultura.

  A freguesia de Nossa Senhora da Conceição era um curato anual da apresentação do prior de S. Pedro de Torres Novas e, segundo alguns autores, do padroado real. Pertencia inicialmente à comarca de Santarém e só posteriormente transitou para a de Torres Novas.

  A Igreja Matriz de Ribeira Branca, no centro da freguesia, sofreu poucas alterações desde a sua construção. Apenas alguma imagens sagradas do seu espólio são posteriores.

  No extremo da Ribeira Ruiva, na margem esquerda do rio, existe a Quinta de Santo António, antigamente conhecida por Quinta da Paz. Foi solar nobre pertencente à família Caldeira e Costa Pimentel.

 

Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, indústria do papel, destilaria, cerâmica artística, transformação de madeiras, panificação, construção civil, têstil, comércio e serviços.

 

Festas e Romarias: Nossa Senhora da Conceição (2º fim-de-semana de Julho) e Anjo da Guarda (2ª semana de Setembro).

 

Património Cultural: Igreja paroquial, capela de Casal da Pinheira, capela de Nossa Senhora do Pranto, cruzeiro no adro da igreja e capela do Anjo da Guarda.

 

Locais turísticos: Praia fluvial natural no rio Almonda e lugar do Casal da Pinheira com miradouro.

 

Gastronomia: Cabrito assado, bolo de cabeça, broa de mel, cozido à portuguesa e broa de café.

 

Artesanato: bordados regionais.

Ordenação

heráldica do brasão 

 

Armas - Escudo de vermelho, ponte medieval de três arcos de ouro, lavrada de negro, movente dos flancos e nascente de um pé ondado de prata e azul. Coroa de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas: " RIBEIRA BRANCA ".